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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Nas telas: o charme dos modelos alternativos da “escola ideal”



Richard Romancini

Retomo o tema do cinema, ou melhor, do audiovisual (na atualidade, muitos filmes são feitos no suporte do vídeo e contam com espaços de veiculação diferentes do cinema) e da escola. Agora, o foco é quanto à abordagem dessa instituição pelos realizadores, particularmente no documentário. No início, pretendia discutir o filme argentino “A Educação Proibida” (2012), no entanto, a recente disponibilização online do documentário brasileiro “Quando Sinto que já Sei” (acima) torna esse trabalho um objeto privilegiado. Além de abordar o contexto local, ele possui algumas similaridades com a primeira obra. É válido notá-las.

Ambos os filmes utilizam basicamente depoimentos de educadores, gestores e professores. O enfoque dos trabalhos é sobre o que podemos chamar de “modelos alternativos” de educação. Mais do que a ideia da “desescolarização”, defendem que as relações escolares sejam mais democráticas e os estudos contemplem as motivações e os interesses dos alunos. Grosso modo, a crítica básica é que a “educação tradicional” preocupa-se demais com conteúdos, cujo significado é opaco para os estudantes, tendo insuficiente preocupação em construir situações que favoreçam a autonomia e a criatividade das crianças e jovens.

No caso de “A Educação Proibida”, essa contraposição entre o “alternativo” e o “tradicional” é realçada pelo procedimento um tanto duvidoso de encenação de situações do cotidiano escolar, em cenas inseridas em alguns momentos do filme. O problema dessa estratégia é que ela possui tons muito carregados de caricatura. Em verdade, esse tipo de simplificação caracteriza o próprio argumento inicial de que a educação escolar nasce e desenvolve-se, sobretudo, como um processo de produção de trabalhadores e cidadãos, bem ajustados, em determinado espaço nacional. A educação escolar, assunto complexo, tem historicamente esse elemento, mas também outras dimensões, como as possibilidades de acesso aos conhecimentos que permitem o esclarecimento individual e a libertação coletiva. Por isso, o direito à educação foi sempre uma bandeira dos trabalhadores.

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Filmes brasileiros no currículo escolar


Cláudia Mogadouro

Há alguns anos, tramitava no Congresso um projeto de lei, proposto pelo Senador Cristovam Buarque, para incluir o cinema brasileiro no currículo obrigatório, em todas as escolas. Em setembro de 2012, o tema da lei foi abordado, num artigo publicado aqui no portal NET Educação. Em 27 de junho último, esse projeto transformou-se na lei 13.006, publicada no Diário Oficial da União. O parágrafo oitavo, do artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), ficou assim redigido:

A exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais.

Toda lei gera controvérsias e diferentes interpretações. O termo “exibição obrigatória”, por exemplo, já gerou reações, com alegações de que tudo o que é obrigatório se torna chato. É verdade, a ideia da lei não pretende, ao incluir o cinema no currículo, torna-lo uma obrigação chata e desinteressante, na mesma perspectiva de certas obras literárias, cuja leitura obrigatória se transformou em fardo para os alunos. Porém, é preciso compreender, tanto para o cinema como para a literatura, que e o desinteresse teria mais a ver com a forma da aplicação da lei, do que com a lei em si. O fato é que a Lei de Diretrizes e Bases vem sendo alterada por decretos que deixam, às vezes, confusos gestores e educadores.

Ocorre que mesmo as mudanças mais importantes e necessárias na LDB demandam um processo de organização e preparação. A lei 10.639/03, por exemplo, que incluiu a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira, traduzindo a importância destes conteúdos para a construção de uma história mais abrangente e menos centrada na narrativa eurocêntrica, ainda sofre de dificuldades para a implantação plena. Por ser um rompimento com uma perspectiva tradicional de ensino, não é fácil que a lei seja cumprida, pois envolve formação de professores, produção e disponibilização de materiais, alteração do currículo e, principalmente, mudança de mentalidade da comunidade escolar. Onze anos se passaram desde sua promulgação, as escolas estão se adequando, mas muito se avançou.

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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Quarenta anos sem o “homem que calculava”

Crédito: Arquivo pessoal/malbatahan.com.br
Richard Romancini

Quando criança, li uma história que me impressionou muito: era a narrativa de um homem que amava o silêncio. Ele acreditava ser a pessoa que mais cultivava a paz resultante da ausência de sons. Um dia, ele descobriu que havia um “clube dos silenciosos”, no qual pessoas como ele podiam compartilhar – sem palavras – esta preferência. Era um lugar agradável, no qual, dizia-se, reinava absoluto silêncio. Interessadíssimo, o homem quis tornar-se sócio e foi se reunir com o presidente.

A comunicação se deu por escrita e gestos. O presidente logo informou que seria impossível que o pretendente entrasse no clube. Ele indagou a razão, e o presidente – com todo o cuidado exigido – fez uma mímica em que lançava uma pena num copo cheio de água. Depois, jogava toda a água fora, só restando a pena.

“Quer dizer que com minha entrada todos sairão” – concluiu o homem. “Mas por quê?” – quis saber. Então, o presidente conduziu-o pelo clube, numa parte em que estavam vários sócios e, à medida que ele se aproximava das pessoas, elas afastavam-se apavoradas. Quando, ao fim, o presidente levou o homem até a porta de saída, ele desvendou o mistério, ao apontar o relógio do candidato: o mero tic-tac da engrenagem era motivo de tormento para os membros do clube dos silenciosos...

A história é uma, entre muitas outras, narrada pelo professor, matemático e escritor brasileiro Júlio César de Melo e Sousa, mais conhecido pelo pseudônimo com que assinava seus livros: Malba Tahan. Nascido em 1895, ele morreu em 18 de junho de 1974, ou seja, há 40 anos. Sem lembrar esta efeméride, em maio passado, o jornalista (que chegou a ser correspondente no Rio de Janeiro) e escritor inglês Alex Bellos escreveu no seu blog no jornal The Guardian uma postagem sobre Sousa, definindo-o como “um dos mais inspiradores divulgadores da matemática no mundo”.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Os Direitos Humanos e o Cinema


Cláudia Mogadouro

O tema dos direitos humanos está na pauta, não somente na área do direito, como também nas áreas de história, filosofia, ciências sociais, entre outras áreas do conhecimento. A conquista dos direitos humanos ainda está na esfera do desejo e na perspectiva de um mundo melhor a ser construído. A educação em direitos humanos vem se estruturando e o cinema é um potente instrumento nesse processo.

Até a Idade Média e início da Modernidade não havia, na sociedade dita civilizada, a ideia de que não se pudesse matar ou escravizar outra pessoa, ou ainda que crianças e velhos deveriam ser protegidos. Muitos foram mortos por conta de suas crenças e de suas ideias. No século XVIII, o chamado de Século das Luzes, filósofos propõem novos conceitos, dentre eles os “direitos naturais” ou os “direitos essenciais da pessoa”. Teve início o questionamento das desigualdades, dos maus tratos de uns sobre outros e, mesmo, dos direitos à vida digna e à liberdade, estendida a todos.

Esses questionamentos foram pilares de lutas, guerras e revoluções que resultaram em conquistas importantes que garantiram as igualdades de direitos elementares das pessoas, ou de alguns segmentos sociais. Formalizadas em leis de proteção elas integram, por exemplo, a Carta dos Direitos dos Estados Unidos ou Declaração dos Direitos dos Cidadãos dos EUA (1789-1791), resultante da Guerra de Independência daquele país, e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789-1793), resultante da Revolução Francesa. Esses documentos foram saltos qualitativos nas transformações sociais e culturais desses momentos históricos. No entanto, uma lei não muda de imediato um hábito arraigado. E as leis são compreendidas e implantadas segundo visões e interesses.

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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Repensando os MOOCs a partir da comunicação


Richard Romancini

Recente artigo da revista Slate apresenta o caso do estudante da Mongólia Battushig Myanganbayar, de apenas dezessete anos. Ele realizou com sucesso o primeiro curso massivo aberto online (MOOC) do MIT e acabou sendo contratado pela empresa que produz cursos para a internet edX. O interesse deste consórcio do MIT e da Universidade de Harvard era obter a visão dos estudantes, em particular daqueles que ainda não fizeram o ensino superior. A maioria dos concluintes dos MOOCs, contrariando as expectativas, já possui grau universitário.

A matéria traz uma série de dados interessantes sobre os percursos de aprendizagem deste estudante. Um deles relaciona-se a uma questão que inquietava os profissionais da edX: como Myanganbayar conseguiu realizar um curso avançado de circuitos e eletrônica não tendo a priori os pré-requisitos solicitados (entre eles, o conhecimento de equações diferenciais)? Ele explicou ter usado um quarto do tempo do curso buscando informações em outros espaços da internet para suprir suas lacunas de aprendizagem.

Isto reforça o quanto a web pode ser um espaço importante de aprendizado para que indivíduos altamente motivados aprendam de maneira autônoma. No entanto, as estratégias de Myanganbayar apontam para outra dimensão do aprendizado online, menos solitária, dependente dos conteúdos, e mais relacionada às interações.

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Censura no cinema: da abertura política aos dias atuais


Cláudia Mogadouro

Nos anos 1970, apesar da censura severa, houve um crescimento de filmes denominados pornochanchadas, que eram comédias populares, bastante comerciais, com pitadas eróticas. O cinema no Brasil sempre teve muita dificuldade de financiamento. É uma produção que tem um pé na arte e outro na indústria. Para conquistar o público e sucesso mercadológico, os poucos produtores investiam em roteiros simples, com apelo comercial e popular. Filme erótico sempre teve público, mas como driblar a censura? A maioria dos filmes chamados de pornochanchadas traziam histórias tão fracas, que os cortes da censura afetavam pouco, já que o público desses filmes não estava preocupado com a trama.

A partir da intensificação da repressão, os censores estavam mais atentos às “ameaças” do comunismo, e aos valores do capitalismo e da religião, como a propriedade privada e a família. Alguns censores entendiam que erotismo no cinema era também ação dos comunistas. A ligação é absurda, mas foi registrada por escrito. Um dos censores publicou que “os agentes do comunismo internacional servem-se da dissolução da família para impor o seu regime político; para tanto buscam projetar a juventude no erotismo, para desfibrá-la e fazê-la perder a dignidade”.

As pornochanchadas não eram filmes pornográficos, eles não apresentavam sexo explícito. Muitos eram comédias de costumes, com leve tom picante, porém os títulos e a publicidade eram sim, apelativos e vulgares, muito mais que o próprio filme. Horrorizados, sem nem assistir aos filmes, senhoras da sociedade e religiosos exigiam maior rigor da censura. Porém, essas produções eram a única alternativa que restou ao cinema nacional sob censura. Ótimos atores brasileiros participavam do elenco dessas pornochanchadas, garantiam-se financeiramente, e depois seguiam para a televisão, onde brilharam e se tornaram reconhecidos pelo grande público.

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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Ler e escrever na cibercultura


Talita Moretto

Recentemente, fui questionada se as práticas que envolviam o conceito da educomunicação (ou mídia e educação) poderiam contribuir para incentivar o gosto pela leitura entre crianças e adolescentes, considerando que muitas pesquisas* realizadas em nível nacional apontam para o baixo índice dessa habilidade importante para a aquisição do conhecimento e para a formação do sujeito crítico.

É importante, antes de avaliar se os jovens integrantes de um grupo específico (uma sala de aula, por exemplo), leem ou não, os professores perguntarem-se até que ponto a cibercultura (relacionada aos fenômenos sociais relacionados à internet e às formas de comunicação em rede) está sendo contemplada naquele ambiente e quais são as possibilidades dadas aos alunos para reconhecer a leitura como parte do processo do seu letramento e da sua aprendizagem.

Um texto divulgado no portal Todos Pela Educação com o título “Leitura no papel ou na tela: a diferença está em quem lê” traz as considerações da professora da área de linguística da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Rejane Dania, a respeito das diferenças entre a leitura em papel e na tela. Ela afirma que essas diferenças estão relacionadas com as características de quem lê, ou seja, idade, experiência em leitura e grau de contato com a tecnologia. Fatores individuais de cada leitor é que vão apontar se ele terá dificuldades em apreender os significados em qualquer um dos formatos. Então, conclui-se que o processo de leitura é o mesmo, independente do suporte, mas a capacidade de absorção depende do objetivo da leitura.

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quinta-feira, 22 de maio de 2014

A ditadura militar e a censura no cinema



Cláudia Mogadouro

O período da ditadura militar no Brasil durou 21 anos. Teve início no golpe civil militar (hoje se fala “golpe civil militar”) para que todos se lembrem que muitos civis apoiaram e sustentaram o golpe e a ditadura que se sucedeu. Em 1º de abril de 1964, o presidente João Goulart foi deposto e, dias depois, o Marechal Humberto Castelo Branco tomou a presidência da República. O término da ditadura é considerado o fim do mandato do presidente General João Batista Figueiredo, em 15 de março de 1985. Mas esse período não foi um bloco monolítico, 21 anos ininterruptos de torturas, perseguições, censura e prisões arbitrárias. Foi, sem dúvida, uma fase muito cruel da história do Brasil, mas é importante saber que houve fases mais ou menos duras, alternâncias e lutas internas. E durante todo esse período, houve resistência política: passeatas, pressões do poder legislativo, manifestações na imprensa, resistência armada, guerrilhas, canções de protesto, filmes e até telenovelas que faziam a crítica política nas entrelinhas. Mesmo entre os que participavam do governo, havia quem defendesse maiores ou menores liberdades. Portanto, foi um período muito complexo, em que houve uma tensão permanente.
Para falarmos de censura no cinema na ditadura militar, é importante considerar pelo menos três fases distintas do período: a fase de resistência mais explícita, entre abril de 1964 e dezembro de 1968, quando se acreditava que a ditadura seria transitória. A fase chamada de “anos de chumbo”, após o decreto do Ato Institucional nº 5 (o famigerado AI-5) que vai do finalzinho de 1968 a 1974. E a fase final, chamada de “distensão”, que coincide com os governos dos generais Geisel e Figueiredo, portanto, de 1974 a 1985. O jornalista Elio Gaspari publicou um extenso estudo sobre o período, dividido em volumes, em que ele batiza essas fases respectivamente de Ditadura Envergonhada, Ditadura Escancarada e Ditadura Encurralada.

Como já dissemos no artigo anterior (, sempre houve censura ao cinema no Brasil, mas nessa fase ela será muito importante e estruturada. É interessante observar como era composta a Comissão de Censura dos filmes. O Serviço de Censura de Diversões Públicas (SCDP), integrado ao Ministério da Justiça, situava-se em Brasília. Nessa época, era muito difícil conseguir atrair funcionários públicos para a longínqua capital, apesar dos muitos incentivos e vantagens funcionais oferecidas. Sem conseguir compor um quadro estável de censores, apelou-se para as transferências de funcionários de outros departamentos que, do dia para a noite, passaram a decidir o destino dos filmes e o que a população poderia ou não assistir. Segundo Inimá Simões: “foi assim que esposas de militares, classificadores do Departamento de Agropecuária do Ministério da Agricultura, ex-jogadores de futebol, contadores, apadrinhados ou meros conterrâneos de autoridades passaram a julgar os filmes nacionais e estrangeiros destinados ao circuito brasileiro”.

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Acima, primeira parte do documentário (a segunda será uma opção do tocador do YouTube) Maioria Absoluta, que aborda o analfabetismo no Brasil, que foi finalizado logo após o golpe de 1964, mas teve sua cópia apreendida e foi começou a ser exibido apenas a partir de 1980.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Censura no Cinema


Cláudia Mogadouro

Ao pensar em censura no Brasil, nos vêm à mente a ditadura militar (1964-1985). Os mais velhos pensarão também na ditadura de Vargas, o Estado Novo (1937-1945). Vamos recuar um pouco no tempo, só para lembrar que a censura surgiu por iniciativa da Igreja Católica, no século XVI, no momento em que vê o seu poderio ameaçado pela Reforma Protestante. Proibição de posse e circulação de impressos e de livros foi um dos atos de censura. E as práticas foram sendo usadas por todos os que se valeram do poder que tinham para calar adversários: reis impediram a divulgação de ideias antimonarquistas, ditadores como Hitler e Mussolini proibiram qualquer crítica vinda sob a forma de opinião, jornal, e mesmo a produção artística (pintura, teatro, música, etc), governos comunistas impuseram leis restritivas à manifestação de quaisquer opiniões contrárias, valendo-se, inclusive, de delação. Vários países ainda mantêm leis de censura.

O cinema também ganhou o interesse da censura, visto que, desde a sua invenção, destacou-se como um importante instrumento de transmissão de valores morais e ideológicos. Nos Estados Unidos, durante a guerra fria, no período conhecido como macarthismo (1945-1953), o governo perseguiu e prendeu diversos artistas e intelectuais, acusados de comunistas. Charles Chaplin, por exemplo, foi banido dos EUA nessa época.

Os EUA tornaram-se hegemônicos na indústria cinematográfica, desde a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), posição consolidada ao fim da Segunda Guerra Mundial (1945). O cinema transformou-se em uma das maiores economias norte-americanas e instrumento de propaganda e dominação ideológica. Apesar da predominância de protestantes (metodistas, batistas e presbiterianos), os produtores de Hollywood se viram na mira de muitas acusações, especialmente por parte dos católicos, defensores da moral e dos bons costumes.

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

As heranças da ditadura e o livro didático


Richard Romancini

O marco dos 50 anos do golpe militar (ou civil-militar, como preferem alguns historiadores, para destacar a aliança entre segmentos desses setores na derrubada de João Goulart) sugere reflexões sobre o sentido da última fase autoritária que caracterizou nossa história. O trabalho da imprensa, ao relembrar ou discutir aspectos do período, mostra os legados do regime ditatorial do passado em nosso presente.

Concentrando-se na educação, nem tudo foi equivocado. A pós-graduação brasileira, por exemplo, foi um bem sucedido projeto, gestado numa inusitada aliança entre grupos acadêmicos e militares. Porém, o balanço geral é negativo. Foram cometidos muitos erros, a começar pelos expurgos universitários e o cerceamento do pensamento crítico, responsáveis pelo exílio de educadores como Paulo Freire e pelo fim de experiências como as das escolas vocacionais em São Paulo (sobre estas, vale a pena conhecer um documentário feito por ex-alunos).

Avaliar o período autoritário e suas marcas no presente é importante, também, porque a consciência realista dos problemas, por parte de toda a sociedade, pode colaborar na superação das fragilidades da educação brasileira. Assim, há algo de positivo na autocrítica de um personagem central do regime autoritário, o economista e ex-ministro Delfim Neto, que disse, há pouco, numa entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que o descaso com a educação básica durante o regime militar foi um “erro mortal”. Foi a partir dessa situação que, no período democrático atual, realizaram-se alguns avanços, como a universalização da educação básica, em que pese o fato de que a qualidade seja ainda um desafio.

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terça-feira, 1 de abril de 2014

Direitos autorais, educação e mídias


Richard Romancini

Em janeiro deste ano, Mariana Giorgetti Valente e Pedro Nicoletti Mizukami indagaram, no blog do Creative Commons: “O que aconteceu com a reforma do direito autoral no Brasil?”. Na verdade, o texto faz um bom apanhado dos antecedentes, que remontam a 2007, e do estado atual do tema. Em resumo, hoje, há um anteprojeto de lei que se encontra na Casa Civil, porém a perspectiva de que seja votado ainda este ano é pequena. As circunstâncias de que 2014 é um ano eleitoral e de que o Congresso discute atualmente outro assunto complexo, o marco civil da internet, justificam a avaliação.

O que a reforma do direito autoral tem a ver com a educação? Desconheço pesquisas sobre o tema, mas, com base em minha experiência, acredito que a maior parte dos professores mencionaria o problema das cópias xerográficas de livros, se lhes fosse pedido que falassem sobre o assunto. Esse ponto é importante e por sua visibilidade midiática (são comuns as reportagens em que a polícia fecha copiadoras em universidades) fixa-se mais em nossa memória. Este caso é um bom exemplo de como uma redação legal ambígua pode dar margem a problemas. A Lei de Direito Autoral (LDA) vigente (Nº 9.610, de 1998) permite “a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este” (Art. 46, II). Tanto esta passagem que diz que a cópia é feita pelo copista quanto a referência a “pequeno trechos” demandam interpretação e causam controvérsias. Este é um aspecto que poderá ser aperfeiçoamento na nova lei.

No entanto, os direitos autorais relacionam-se a muitas outras dimensões educativas. Talvez a mais importante diga respeito à ideia de que, como a construção do conhecimento nunca parte do zero, nos envolvemos o tempo todo com conteúdos, artefatos e significados produzidos por outros. O argumento de que, no fundo, todo texto cultural é um remix tem defensores e é exposto com criatividade na série de vídeos de Kirby Ferguson.

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sexta-feira, 28 de março de 2014

São Paulo receberá mostra de cinema com foco em educação e infância

De 31 de março a 3 de abril, acontece em São Paulo (SP) a Ciranda de Filmes, a 1ª mostra de cinema focada em educação e infância no Brasil, que exibirá filmes em três eixos temáticos: nascimento e infância, espaços de aprendizagem e movimentos de transformação. A iniciativa é uma uma co-realização do Instituto Alana, do Circuito Cinearte e da Aiuê Produtora de Conteúdo, com patrocínio do Instituto Alana e Península

Na abertura, na noite do dia 31 de março, acontecerá a pré-estreia do documentário “Tarja Branca” – uma produção da Maria Farinha Filmes com direção de Cacau Rhoden – e uma apresentação especial com o artista Antonio Nóbrega, fundador do Instituto Brincante.

Durante o festival também será lançado o Pequeno Fugitivo, filme americano da década de 50, dirigido por Ray Ashley e Morris Engel, citado por François Truffaut como um dos grandes inspiradores da Nouvelle Vague.

Todos os dias haverá uma roda de conversa com a presença de um diretor dos filmes exibidos, além da participação de três especialistas. Maria Amélia Pereira (Péo), pedagoga e fundadora do Centro de Estudos Casa Redonda, Stela Barbieri, educadora, artista plástica e curadora educacional da Fundação Bienal de São Paulo, Renata Meireles, pesquisadora e criadora do Projeto Território do Brincar e German Doin, diretor do filme La Educación Prohibida, são alguns dos especialistas que participarão dessas rodas.

Mais informações no site: www.cirandadefilmes.com.br

Ciranda de Filmes
Local: Cine Livraria Cultura
Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073, Bela Vista, São Paulo, SP
Tel. (11) 3285-3696

Data: 31/03 a 03/4
Horário: das 9h às 18h

Via NET Educação.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Buscas de sentido contra o tédio escolar: as redes e a educomunicação


Richard Romancini

Como vimos na coluna anterior, há indicadores de que muitos jovens acham a escola entediante. Mas quando essa tendência começou (se é que podemos falar em tendência)? Um ponto de vista sobre a questão é que o aborrecimento escolar não tenha aumentado, mas sim que exista hoje maior chance dele ser expresso ou percebido. Além disso, a noção de que a escola deve ser agradável aos alunos talvez seja uma ideia mais recente do que pensamos. Foram os educadores modernos que salientaram a motivação e o envolvimento estudantil em relação à aprendizagem, porém, a noção de “bem-estar” do aluno se alargou sempre mais.

Quem argumenta que não foi apenas o instrumento de medida que se alterou, mas sim as próprias condições aferidas, possui, entretanto, outros pontos da questão. O principal diz respeito aos sinais adicionais de desconforto nos ambientes educativos. Os alunos não apenas se entediam, mas abandonam a escola. As queixas dos professores sobre os salários ou a carreira ganham cada vez mais a companhia de reclamações sobre as dificuldades do cotidiano escolar.

Pensar sobre a questão pode ser mais útil do que apenas vivê-la. É claro, a reflexão só é produtiva se tem como objetivo buscar alternativas para as situações de desconforto. Nesse sentido, dois livros publicados em anos recentes são relevantes: Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão (2012), de Paula Sibilia, pesquisadora argentina radicada no Brasil, e Educomunicação: o conceito, o profissional, a aplicação (2011), do professor da ECA/USP Ismar de Oliveira Soares. Ambos fazem um diagnóstico similar sobre a “crise na escola”. As ênfases e alternativas apontadas são diferentes, embora possuam zonas de convergência.

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sexta-feira, 14 de março de 2014

As animações francesas



Cláudia Mogadouro

Já abordamos a história da animação em outros artigos publicados no portal NET Educação (História da Animação, Disney primeira fase e Disney segunda fase). Abordamos o surgimento da linguagem, o papel de Walt Disney e também as animações canadenses e japonesas. Agora vamos falar sobre animações francesas, que tem peculiaridades que muito interessam aos educadores.

O mais conhecido realizador atual é Michel Ocelot, que nasceu na França, em 1943, mas passou a infância na Guiné, na África Ocidental. Ele sempre se dedicou à animação, tendo cursado a Escola Belas Artes em Rouen, a Escola Superior de Artes Decorativas em Paris e o Instituto de Artes da Califórnia. Ele escreve os roteiros, desenha todos os personagens e cenário de seus filmes. Entre 1994 e 2000, destacou-se como presidente da ASIFA (Internacional Animated Film Association, em inglês). Embora tenha se tornado conhecido internacionalmente a partir do sucesso de “Kirikou e a Feiticeira” (1998), ele já havia recebido prêmios importantes por trabalhos anteriores, pois começou a fazer animação nos anos 1980. Seu primeiro curta é uma verdadeiro primor. Feito com papel recortado, “Os três inventores” fala de pessoas criativas, que querem compartilhar suas invenções com o mundo, mas acabam destruídas. Embora não tenha legenda, as falas são poucas e o filme é perfeitamente compreensível inclusive por quem não entende francês. O filme tem quase 13 minutos e pode ser visto acima.

Em 1983, Ocelot ganhou o prêmio Cesar de melhor animação com o curta “A Lenda do pobre Corcunda”. Ele diz que sua infância na África foi fundamental para “alargar sua mente”, pois tinha contato com cinco diferentes religiões. Ele diz que até os 12 anos sentia-se negro quando estava na escola e, quando voltava à França, nas férias de verão, tornava-se branco de novo... Seus filmes trazem as lendas de várias regiões do mundo e os personagens negros, o que é raríssimo nas produções que nos chegam. Utiliza técnicas de animação diferentes a cada projeto (como silhuetas, papel recortado, animação tradicional, animação digital). Uma constante em seu trabalho é a retomada de contos de fadas e contos populares, que reescreve e atualiza. O uso de cores é muito sofisticado e encanta crianças e adultos, trazendo uma estética muito diferente daquela a que estamos acostumados nas animações dos EUA. Os temas que são sempre libertários.

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Cinema Educativo


Cláudia Mogadouro

Quando se fala em cinema educativo ou rádio educativa, nos vem a ideia de algo bem feito, necessário, informativo, mas entediante, não prazeroso. Muitas vezes ligamos a TV para espairecer e o nosso desejo não é ver algo educativo, mas um programa gostoso, divertido.

Por que será que, em nosso imaginário, os programas educativos têm essa conotação um pouco chata, como aquela tarefa escolar que estamos sempre a adiar?

Em primeiro lugar, nossa educação formal foi constituída pelos jesuítas que deixaram uma herança forte, cujas marcas são facilmente identificáveis até hoje. Disciplina militar, castigos, aprendizagem por meio da repetição oral do texto escrito ou decorado, práticas que têm sua origem no “Ratio Studiorum”, conjunto de regras pedagógicas da educação jesuítica, formulado no finalzinho do século XVI. Outro sentimento herdado é que a educação é sacrifício, é sofrimento.

No final do século XIX, as ideias iluministas (enciclopedistas) e positivistas também influenciaram a formação de educadores no Brasil, valorizando o ensino de cunho prático e cientificista. Seguindo a cultura europeia, a cultura escolar aqui se construiria sempre apoiada no texto escrito e valorizando as especializações, origem da grade curricular que conhecemos até hoje.

Outra corrente que ganhou força no século XX foi a Pedagogia Nova, que se baseava em experiências europeias e americanas, sendo que o principal filósofo dessa vertente é o professor universitário norte-americano John Dewey (1859-1952) que defendia, entre outras coisas, que o interesse e a motivação eram condições básicas para que ocorresse o processo educativo.

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Foto: Flickr/Debbie Ramone (CC BY-SA 2.0)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Os números da educação, além das leis e das salsichas


Zilda Kessel

A frase “Os cidadãos não poderiam dormir tranquilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis.", atribuída ao general Otto von Bismarck, me parece caber bem nos tempos em que vivemos e poderia ser acrescida de outros elementos, como os números da educação.

Isso porque, a cada novo índice publicado pela grande mídia, seguem as análises. Todos, instantaneamente, viram articulistas, analistas, especialistas em Educação. Uma turma vai olhar os números para concluir o que já pensava, ‘O Brasil não tem solução’, outros vão criar metáforas, rankings e pódios, outros ainda vão escolher os dados que vendem jornal e pintar suas manchetes.

No final de 2013, foram divulgados os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). E na sequência desta publicação, já li que o Brasil está atrás do Cazaquistão mas as escolas federais do Brasil empatam com as italianas, já soube que as particulares se igualam com Israel, que melhoramos em Matemática mas ainda somos sofríveis na matéria. Enfim, o papel aceita tudo, inclusive as comparações mais improváveis de dados, que a maioria nem sabe de onde vêm e os articulistas não parecem interessados em explicar.

Por isso, este artigo não vai propor nenhuma comparação nem chegar a nenhuma conclusão sobre a situação da Educação no Brasil. Prefiro partilhar com você, leitor, algumas reflexões sobre como compreender dados, inclusive os da educação. É preciso mais do que três comparações para entender e aproveitar os resultados de uma pesquisa, já que pesquisas dessa envergadura tomam tempo, custam caro e podem nos ajudar a compreender processos e iluminar projetos, ou não.

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Imagem: Flickr/mrsdkrebs (CC BY 2.0)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Morrendo de tédio


Richard Romancini

Fino psicólogo social, o filósofo Schopenhauer notara que os principais inimigos da felicidade humana são o tédio e a dor. Paradoxalmente, ao nos afastarmos de um desses sentimentos, o outro se torna mais provável. Assim, os pobres e necessitados, que precisam lutar por sua sobrevivência, têm sofrimento, mas não tédio. Já aqueles que escapam das dificuldades sociais e econômicas são mais propensos ao aborrecimento e à sensação de vazio. A reflexão me veio à mente a propósito de duas experiências culturais desse fim de ano, relacionadas ao tédio, ao sofrimento e à vida escolar.

Vamos primeiro ao sofrimento. No belo filme Pai Patrão (dirigido por Paolo e Vittorio Taviani, 1977), a primeira sequência é marcante. O pai vai à escola do filho disposto a tirá-lo de lá, pois entende que ele precisa trabalhar, seguindo as tradições da gente humilde de então (o filme, baseado numa história real, se inicia na Sardenha, na Itália da década de 1940). A figura autoritária do pai faz com que o menino levante-se de sua carteira e fique em pé; nervoso, urina nas calças. A professora tenta consolá-lo, mas não pode fazer nada e o menino deixa a aula com o pai.

Logo após a saída dos dois, os alunos fazem uma algazarra, riem do xixi nas calças do colega. Porém, o pai retorna à sala e repreende os alunos, diz que eles não devem rir de seu filho e faz uma advertência: hoje é ele que é tirado da escola para trabalhar, mas em breve serão os outros. A classe fica em silêncio, e os diretores do filme mostram os pensamentos preocupados de alguns alunos. Aqui, há dor e sofrimento, mas não tédio. A escola era um anteparo a um cotidiano cinzento, feito de obrigações muitas vezes cansativas e dolorosas.

Cortando para 2013, nos dirigimos ao tédio. Ao tédio fortemente vinculado à escola e seu cotidiano. De acordo com a reportagem de Amanda Ripley (Bored to Death: To learn just how bored kids are in school, look at Twitter) para a New Republic, o tédio expresso pelos estudantes no mundo todo é uma espécie de epidemia. A matéria apresenta indicadores e casos interessantes. São mostrados tweets e fotos dos próprios estudantes sobre o que estariam sentido na (ou pela) escola. Algumas produções são imaginosas e divertidas, pois como nota uma aluna, com aguda consciência do caráter público de sua imagem/mensagem: “Tweetar um tweet chato parece contraproducente”.

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Foto: Flickr/theirhistory (CC BY-NC-SA 2.0)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Espaço público, mídia e escola


O que dizemos ou fazemos no espaço público é, evidentemente, público. Embora isso seja um truísmo, nos dias de hoje, marcados pela hiperconexão, rapidez na circulação das informações e grande capacidade das instituições e indivíduos manipularem-nas, é algo que merece ser lembrado.

É fácil cometer erros, por exemplo, tornando públicos comportamentos e comentários mais ou menos cabíveis em círculos íntimos, mas incompatíveis com o debate esclarecido. Que o diga o economista e colunista da revista Veja Cláudio de Moura Castro. Como todo mundo que acompanha o noticiário sobre educação, assisti ao comentário de humor infeliz feito por ele numa audiência no Congresso (aqui).

Moura Castro tem opiniões sobre o Plano Nacional de Educação - PNE (ver esse artigo) que contextualizam a declaração: acreditando que o Plano possui uma série de “besteiras”, resolveu sugerir mais uma. Porém, a piada saiu do ponto.

Sem que isso abone o comentário preconceituoso, o que chama atenção é o quanto a hiperconexão e a indistinção entre o espaço público e o privado podem ter consequências negativas. Situações desse tipo bloqueiam o debate. O que talvez seja mais substantivo (mesmo na pequena fala do vídeo) na avaliação de Moura Castro é a ideia de “capital humano”, que ele associa fortemente à educação.

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Imagem: opensouceway/Caroline Madigan

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

EAD e formação de professores


Richard Romancini

Comentei no texto anterior que é provável que os cursos massivos online (os MOOCs) tenham baixa aderência à realidade brasileira. No entanto, uma dimensão da educação online que pode se tornar expressiva no ensino superior local é a que se associa à educação a distância (EAD). Por sorte, o MEC divulgou há pouco (como uma reportagem que o NET Educação divulgou) os primeiros resultados do Censo da Educação Superior 2012.

A partir dos dados divulgados, é possível constatar que além do crescimento contínuo da EAD de maneira geral, esta modalidade tem adquirido relevância na formação de professores. A discussão é favorecida por análise temporal mais alargada, que permita visualizar possíveis tendências. Por isso, as tabelas e gráficos mostrados a seguir cobrem o decênio 2003-2012.

Até 2009, os cursos de dupla saída (bacharelado e licenciatura) estavam agrupados numa única categoria, o que prejudica um pouco as comparações. No entanto, é possível perceber que em termos das tendências gerais, o que se percebe é o crescimento contínuo nos números de acesso e conclusão ao ensino superior no Brasil (como mostram as tabelas 1, 2 e 3, elaboradas a partir dos dados do Censo da Educação).

O crescimento entre os que finalizam os cursos foi de 97,4%, no decênio, alcançando 1.050,4 mil formados em 2012. E as matrículas deste ano (7.037,7 mil) são superiores às de 2003 em 78,8%. Chama a atenção o crescimento, bem acima da média, dos cursos tecnológicos, tanto em matrículas quanto no número de concluintes, que cresceu mais de dez vezes. Os dados do bacharelado estão mais dentro da média de crescimento do período.

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Imagem: opensourcewway/Collen Simon