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sábado, 24 de outubro de 2015

III Simpósio Comunicação e Liberdade de Expressão na Atualidade



O Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura da USP (OBCOM/USP) realiza junto com o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP, o III Simpósio Comunicação e Liberdade de Expressão na Atualidade, que reúne pesquisadores de diversas áreas para analisarem os recentes eventos, veiculados pela mídia impressa, envolvendo a censura e a liberdade de expressão.

Mais informações: link.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Censura no cinema: da abertura política aos dias atuais


Cláudia Mogadouro

Nos anos 1970, apesar da censura severa, houve um crescimento de filmes denominados pornochanchadas, que eram comédias populares, bastante comerciais, com pitadas eróticas. O cinema no Brasil sempre teve muita dificuldade de financiamento. É uma produção que tem um pé na arte e outro na indústria. Para conquistar o público e sucesso mercadológico, os poucos produtores investiam em roteiros simples, com apelo comercial e popular. Filme erótico sempre teve público, mas como driblar a censura? A maioria dos filmes chamados de pornochanchadas traziam histórias tão fracas, que os cortes da censura afetavam pouco, já que o público desses filmes não estava preocupado com a trama.

A partir da intensificação da repressão, os censores estavam mais atentos às “ameaças” do comunismo, e aos valores do capitalismo e da religião, como a propriedade privada e a família. Alguns censores entendiam que erotismo no cinema era também ação dos comunistas. A ligação é absurda, mas foi registrada por escrito. Um dos censores publicou que “os agentes do comunismo internacional servem-se da dissolução da família para impor o seu regime político; para tanto buscam projetar a juventude no erotismo, para desfibrá-la e fazê-la perder a dignidade”.

As pornochanchadas não eram filmes pornográficos, eles não apresentavam sexo explícito. Muitos eram comédias de costumes, com leve tom picante, porém os títulos e a publicidade eram sim, apelativos e vulgares, muito mais que o próprio filme. Horrorizados, sem nem assistir aos filmes, senhoras da sociedade e religiosos exigiam maior rigor da censura. Porém, essas produções eram a única alternativa que restou ao cinema nacional sob censura. Ótimos atores brasileiros participavam do elenco dessas pornochanchadas, garantiam-se financeiramente, e depois seguiam para a televisão, onde brilharam e se tornaram reconhecidos pelo grande público.

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quinta-feira, 22 de maio de 2014

A ditadura militar e a censura no cinema



Cláudia Mogadouro

O período da ditadura militar no Brasil durou 21 anos. Teve início no golpe civil militar (hoje se fala “golpe civil militar”) para que todos se lembrem que muitos civis apoiaram e sustentaram o golpe e a ditadura que se sucedeu. Em 1º de abril de 1964, o presidente João Goulart foi deposto e, dias depois, o Marechal Humberto Castelo Branco tomou a presidência da República. O término da ditadura é considerado o fim do mandato do presidente General João Batista Figueiredo, em 15 de março de 1985. Mas esse período não foi um bloco monolítico, 21 anos ininterruptos de torturas, perseguições, censura e prisões arbitrárias. Foi, sem dúvida, uma fase muito cruel da história do Brasil, mas é importante saber que houve fases mais ou menos duras, alternâncias e lutas internas. E durante todo esse período, houve resistência política: passeatas, pressões do poder legislativo, manifestações na imprensa, resistência armada, guerrilhas, canções de protesto, filmes e até telenovelas que faziam a crítica política nas entrelinhas. Mesmo entre os que participavam do governo, havia quem defendesse maiores ou menores liberdades. Portanto, foi um período muito complexo, em que houve uma tensão permanente.
Para falarmos de censura no cinema na ditadura militar, é importante considerar pelo menos três fases distintas do período: a fase de resistência mais explícita, entre abril de 1964 e dezembro de 1968, quando se acreditava que a ditadura seria transitória. A fase chamada de “anos de chumbo”, após o decreto do Ato Institucional nº 5 (o famigerado AI-5) que vai do finalzinho de 1968 a 1974. E a fase final, chamada de “distensão”, que coincide com os governos dos generais Geisel e Figueiredo, portanto, de 1974 a 1985. O jornalista Elio Gaspari publicou um extenso estudo sobre o período, dividido em volumes, em que ele batiza essas fases respectivamente de Ditadura Envergonhada, Ditadura Escancarada e Ditadura Encurralada.

Como já dissemos no artigo anterior (, sempre houve censura ao cinema no Brasil, mas nessa fase ela será muito importante e estruturada. É interessante observar como era composta a Comissão de Censura dos filmes. O Serviço de Censura de Diversões Públicas (SCDP), integrado ao Ministério da Justiça, situava-se em Brasília. Nessa época, era muito difícil conseguir atrair funcionários públicos para a longínqua capital, apesar dos muitos incentivos e vantagens funcionais oferecidas. Sem conseguir compor um quadro estável de censores, apelou-se para as transferências de funcionários de outros departamentos que, do dia para a noite, passaram a decidir o destino dos filmes e o que a população poderia ou não assistir. Segundo Inimá Simões: “foi assim que esposas de militares, classificadores do Departamento de Agropecuária do Ministério da Agricultura, ex-jogadores de futebol, contadores, apadrinhados ou meros conterrâneos de autoridades passaram a julgar os filmes nacionais e estrangeiros destinados ao circuito brasileiro”.

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Acima, primeira parte do documentário (a segunda será uma opção do tocador do YouTube) Maioria Absoluta, que aborda o analfabetismo no Brasil, que foi finalizado logo após o golpe de 1964, mas teve sua cópia apreendida e foi começou a ser exibido apenas a partir de 1980.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Censura no Cinema


Cláudia Mogadouro

Ao pensar em censura no Brasil, nos vêm à mente a ditadura militar (1964-1985). Os mais velhos pensarão também na ditadura de Vargas, o Estado Novo (1937-1945). Vamos recuar um pouco no tempo, só para lembrar que a censura surgiu por iniciativa da Igreja Católica, no século XVI, no momento em que vê o seu poderio ameaçado pela Reforma Protestante. Proibição de posse e circulação de impressos e de livros foi um dos atos de censura. E as práticas foram sendo usadas por todos os que se valeram do poder que tinham para calar adversários: reis impediram a divulgação de ideias antimonarquistas, ditadores como Hitler e Mussolini proibiram qualquer crítica vinda sob a forma de opinião, jornal, e mesmo a produção artística (pintura, teatro, música, etc), governos comunistas impuseram leis restritivas à manifestação de quaisquer opiniões contrárias, valendo-se, inclusive, de delação. Vários países ainda mantêm leis de censura.

O cinema também ganhou o interesse da censura, visto que, desde a sua invenção, destacou-se como um importante instrumento de transmissão de valores morais e ideológicos. Nos Estados Unidos, durante a guerra fria, no período conhecido como macarthismo (1945-1953), o governo perseguiu e prendeu diversos artistas e intelectuais, acusados de comunistas. Charles Chaplin, por exemplo, foi banido dos EUA nessa época.

Os EUA tornaram-se hegemônicos na indústria cinematográfica, desde a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), posição consolidada ao fim da Segunda Guerra Mundial (1945). O cinema transformou-se em uma das maiores economias norte-americanas e instrumento de propaganda e dominação ideológica. Apesar da predominância de protestantes (metodistas, batistas e presbiterianos), os produtores de Hollywood se viram na mira de muitas acusações, especialmente por parte dos católicos, defensores da moral e dos bons costumes.

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segunda-feira, 10 de março de 2014

II Simpósio Internacional OBCOM USP: Censura e Liberdade de Expressão em Debate

Acontece nos dias 13 e 14 de março próximos o II Simpósio Internacional do OBCOM USP, reunindo pesquisadores brasileiros e portugueses para discutir os temas da censura e da liberdade de expressão. Você pode ver o programa e inscrever-se no evento no site.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Primeiro Simpósio OBCOM-USP


O Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (OBCOM – ECA/USP), abre as inscrições para o I Simpósio de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura, que acontecerá no dia 16 de agosto de 2013, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, as inscrições são gratuitas.

O evento tem por objetivo o debate da situação da liberdade de expressão e da censura na atualidade. Como os fatos envolvendo o exercício da interdição hoje são radicalmente diferentes daqueles estudados num passado recente em que o Estado autoritário era o principal agente dos mecanismos, há necessidade de debatermos as formas plurais com que ela se exerce.

A Profa. Dra. Isabel Ferin, da Universidade de Coimbra, Portugal, apresentará a palestra "Mídia e Corrupção Política: Condicionantes da Liberdade de Expressão".

As inscrições serão realizadas através do site www.usp.br/obcom até dia 14 de agosto de 2013. A entrada é gratuita e haverá emissão de certificado para os participantes.

Data: 16 de agosto de 2013
Horário: 9h30min às 19h
Local: Auditório Paulo Emílio da Escola de Comunicações de Artes da USP
Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443
Cidade Universitária – São Paulo/ SP

ENTRADA GRATUITA

Informações: (11) 3091-1607
E-mail: arquivoms@usp.br
Facebook: http://www.facebook.com/obcom.usp
Site: http://obcom.nap.usp.br/
Twitter: @obcom_eca

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Imprensa Paulista na Ditadura (1964-1985)



O documentário em vídeo A Imprensa Paulista na Ditadura (1964-1985)(2007) foi realizado como trabalho de conclusão de curso por estudantes da Faculdade de Comunicação da FITO. Ele apresenta depoimentos de jornalistas sobre a repressão à imprensa durante o regime militar, explicitando também estratégias de resistência adotadas na época.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Seminário - A Censura em Debate


O Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura promove de 2 a 5 de outubro no Centro Cultural Marques de Melo o Seminário A Censura em Debate.

As mesas que compõem a programação nos quatro dias de evento estarão organizadas em eixos temáticos, concebidos por articularem pontos polêmicos: Democracia e Liberdade de Expressão; Censura ao Cinema; Censura, Gênero e Sexualidade; Literatura Interditada; Classificação Etária; Direito, Direitos e Censura; Arte, Censura e Revolução; Cinema e Humor; Censura e Cinema: Síria e Irã.

Você pode ver a programação completa e fazer a inscrição no evento, a partir do seguinte link.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os livros e a vida literária


Conforme os dados do convite acima, a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, convida para o lançamento da obra Repressão e resistência - censura a livros na ditadura militar, da professora da USP Sandra Reimão. No mesmo dia, haverá debate sobre o tema e também uma mesa-redonda sobre a editora Zahar. O evento terá transmissão pelo Instituto Embratel/TV PontoCom.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Documentário
Páginas Censuradas



A pesquisadora Sandra Reimão, mencionada no post anterior, é também autora (com Erick Vieira) do documentário Páginas Censuradas, que você pode ver acima. O trabalho aborda a censura a livros, durante a ditadura militar, em particular na década de 1970.

O filme ganhou o prêmio de melhor documentário, na escolha do júri, no concurso Bibliofilmes, de 2011. O Bibliofilmes é uma interessante iniciativa de promoção da leitura e do livro.

Curso: Censura a Livros no Brasil


Irá ocorrer no Centro Universitário Maria Antônia, nos dias 8, 15, 22, 29 de maio (terças-feiras), das 20 às 22 horas, o curso Censura a livros no Brasil, que é coordenado pela professora Sandra Reimão, especialista no assunto. A partir do dia 8 de maio irá ser aberta também uma exposição sobre o tema da censura dos livros no Brasil, no 3º andar do mesmo Centro Universitário, que fica na Rua Maria Antonia, 294, Consolação, São Paulo.

O valor do curso é 170 reais e as inscrições são feitas no Centro Universitário Maria Antônia, no 3° andar, sala de cursos, de segunda a sexta, 10 às 18 horas. São oferecidos descontos de 20% para estudantes e professores e 40% para terceira idade. Telefone: (11) 3123-5213 / 5214; email cursosma@usp.br. Mais informações: aqui.

Além de livro sobre o tema, a professora Reimão possui artigos na internet, falando sobre a censura a livros no Brasil, como o texto Fases do Ciclo Militar e censura a livros – Brasil, 1964-1978.