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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ideias
O destino dos livros


Jaron Lanier

Se existe alguma coisa abençoada e bacana em relação à cultura do Vale do Silício é que não temos muitas funções sociais obrigatórias e enfadonhas nas quais você tenha que sentar no lugar indicado, escolher entre carne, frango ou legumes ou ficar escutando brindes tediosos até conseguir ir embora. Mas, mesmo assim, às vezes temos de passar por isso.

Em uma dessas ocasiões eu estava sentado em um sofá branco entre Jeff Bezos, da Amazon, e Eric Schmidt, na época diretor-presidente do Google. Isso foi antes do Kindle. Aqueles dois machos alfa do Vale do Silício se olharam e de repente começaram uma troca ensandecida de estatísticas e casos curiosos sobre o ramo de livros. Era como se eles estivessem compartilhando dicas sobre mais um mercado cheio de “conteúdo” que empresas de tecnologia de rede como as deles estavam prontas a “dividir”.

Fiquei sentado ali, olhando para a frente na maior parte do tempo — um pedaço de cenário de um desenho animado dos anos 1920 em celuloide, colocado entre dois personagens frenéticos espelhando um ao outro, exibido no que parecia o dobro da velocidade.

Na verdade eles não estavam se movendo mais rápido do que o normal, mas a velocidade normal contrastava com o processo soturno pelo qual eu estava passando.

Eu vinha tentando terminar um primeiro livro sobre as formas pelas quais as tecnologias digitais vinham moldando nossa cultura há décadas. Não que eu fosse preguiçoso. Durante os anos em que não entreguei o livro, ajudei a criar diversos setores de tecnologia que agora fazem parte de grandes empresas. Eu me tornei pai, conduzi um programa de pesquisas conjunto com diversas universidades e toquei música pelo mundo. Escrevi muitos artigos. Mas escrever um livro era diferente. O processo de escrita de um livro coloca os autores em uma espécie diferente de tempo, porque um livro representa uma codificação de um ponto de vista. Meu problema era que, mesmo que eu não estivesse pronto para admitir, minhas ideias ainda não tinham amadurecido. Realmente levei décadas para estar pronto para completar You are not a gadget (Você não é um gadget).

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Imagem: opensourceway/Caroline Madigan

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Ideias - Conferência (tradução)
Ler a leitura*


Roger Chartier

Em seu pequeno livro A importância do ato de ler, Paulo Freire distinguia dois sentidos da palavra “ler” (Paulo Freire, 1982). Um sentido literal: ler é ler letras, palavras, livros. Esta leitura supõe a alfabetização, a aprendizagem escolar, o domínio da palavra escrita. Porém, ler tem também um sentido metafórico. Ler é, antes e depois da leitura de livros, “ler” o mundo, a natureza, a memória, os gestos, os sentimentos –, tudo o que Paulo Freire designa com o neologismo palavramundo. Ler a leitura, como indica o título de minha conferência, é talvez entender as relações entre estes dois sentidos do verbo “ler”, considerando, por um lado, a especificidade da leitura de livros – que deve evitar o perigo de um uso descontrolado e excessivo da palavra, como se toda “leitura” estivesse governada pelas regras que caracterizam o deciframento dos textos – e, por outro lado, os processos que organizam segundo lógicas muito diferentes a compreensão imediata do mundo, das experiências da existência e seu encontro com a escrita.

Em 1968, num ensaio que se tornou célebre, Roland Barthes associava a onipotência do leitor com a morte do autor (Roland Barthes, 1968). Destronado de sua antiga soberania sobre a linguagem ou pelas “escrituras múltiplas, surgidas de diversas culturas e que estabelecem entre si uma relação de diálogo, paródia e de oposição”, o autor deve ceder sua premência ao leitor, entendido como “aquele que reúne em um mesmo campo todas as características que constituem o escrito”. O lugar da leitura era, portanto, considerado como aquele em que se reordena o sentido plural, móbil e instável do texto, como o lugar onde o escrito adquire sua significação.

Entretanto, pouco tempo depois de reconhecido o nascimento do leitor, se multiplicaram os diagnósticos que anunciaram a sua morte. Estes diagnósticos se apresentam de três formas:

domingo, 30 de junho de 2013

Ideias - Conferência
Nuevas alfabetizaciones: prácticas y aprendizajes en la Web 2.0



Na conferência, acima, os pesquisadores Colin Lankshear (Mount St. Vincent University, McGill University, Canadá, e James Cook University, Australia) e Michele Knobel (Montclair State University, USA e Mount St. Vincent University, Canadá) falaram sobre sua experiência de trabalho na formação de professores para o uso de novas tecnologias em sala de aula. O evento ocorreu na Argentina, na Universidad Nacional de Córdoba, em 2010.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Ideias - Palestra
Mário Sérgio Cortella - A Mídia Como Corpo Docente



Como é possível que um pai ou uma mãe impeçam que seus filhos integrem-se ao consumismo estimulado pela mídia? Como educar as crianças para mídia? Mário Sérgio Cortella, nessa palestra realizada no Fórum Internacional Criança e Consumo, realizado em 2011, sugere estratégias, notando a importância da socialização na família e na escola. Estes ambientes podem educar ou deseducar os jovens, promover atitudes positivas ou preconceitos e, assim, tornar mais consciente o consumo midiático.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Ideias - Vídeo
Américo Amorim - Redes Sociais na Educação



Na terceira edição da Série de Diálogos O Futuro se Aprende sobre Tecnologias na Educação, ocorrida em setembro de 2012, em São Paulo, o presidente da Daccord, empresa especializada em plataformas educacionais que desenvolveu o game Saiba Mais Enem, Américo Amorim, apresentou alguns dados e discussões sobre as redes sociais na educação.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Ideias - Vídeo
Luciano Meira - Tendências no uso das tecnologias na educação



No vídeo acima, o professor Luciano Meira, da UFPE, discute algumas tendências, desafios e oportunidades de uso das tecnologias na educação, do seu ponto de vista. A apresentação aconteceu na terceira edição da Série de Diálogos O Futuro se Aprende com o tema Tecnologias na Educação, que aconteceu em setembro deste ano, em São Paulo-SP. Promovido por Inspirare, Porvir e Fundação Telefônica, o encontro reuniu representantes de fundações, institutos, empresas, organizações sociais, governo, universidades e mídia.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Conectados, mas sozinhos? (repostagem)


Sobre tema similar ao da última postagem -- na qual, aliás, Sherry Turkle é ouvida --, nessa palestra TED, de fevereiro deste ano, a pesquisadora discute criticamente o tipo de conexão humana que as tecnologias têm favorecido.

Postagem origina em 08/05/2012.

Ideias - tradução
O Facebook está nos tornando solitários? (repostagem)

An idea I'm working on about the solitude of the internet, de Kyle Steed - (cc)

Stephen Marche*

Yvette Vickers, uma ex-coelhinha da Playoby e estrela de filmes B, mais conhecida por seu papel em O Ataque da Mulher de 15 Metros (Attack of the 50 Foot Woman), deveria ter 83 anos em agosto passado, porém ninguém sabe exatamente com quantos anos ela morreu. De acordo com o relatório do médico legista de Los Angeles, ela já estava morta durante boa parte do ano, antes que uma vizinha e amiga da atriz, uma mulher chamada Susan Savage, notasse teias de aranha e cartas amareladas na caixa de correio dela e, abrindo a porta através de uma janela quebrada, caminhasse entre pilhas de lixo postal e montes de roupa que lotavam a casa. Subindo as escadas, ela encontrou o corpo de Vicky mumificado, próximo a um aquecedor que continuava funcionando. Seu computador também estava ligado, com seu brilho preenchendo o espaço vazio.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ideias - Vídeo
Henry Jenkins, a cultura participativa e a educação (repostagem)

Descolagem 7 - Henry Jenkins - Enfrentando os desafios da cultura participativa: a educação para as mídias do século 21 por betolargman no Videolog.tv.

Acima, você pode ver uma apresentação do professor, pesquisador e escritor Henry Jenkins no evento Descolagem 7, realizado no NAVE (Núcleo Avançado em Educação) no dia 2 de julho de 2011, que teve como tema "As novas conexões do saber". Jenkins discute o impacto das novas tecnologias no modo de produção e compartilhamento do conhecimento e da informação.

Postagem original em 15/10/2012.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Ideias
TEDxRio - José Pacheco



O educador José Pacheco, fundador Escola da Ponte (site oficial), em Vila das Aves (Portugal), fala de aspectos dessa escola e de problemas da educação no Brasil e no mundo. No caso brasileiro, Pacheco afirma que falta "autoestima" aos educadores locais, que deveriam recuperar esse sentimento e incuti-lo em seus alunos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Ideias - Vídeo
Chomsky - El objetivo de la educación



Na entrevista, acima, apresentada na Conferencia Aprendizaje sin Fronteras (Learning Without Frontiers Conference), em janeiro de 2012, em Londres, o linguísta Noam Chomsky discute o objetivo da educação e o impacto da tecnología.

sábado, 22 de setembro de 2012

Ideias - Conferência
Quixotes hoje: utopia e política



Em 2005, o escritor José Saramago proferiu a palestra, que você pode ver acima, "Quixotes hoje: utopia e política", no Fórum Social Mundial realizado em Porto Alegre. Nela, ele discute a discute a ideia de utopia, criticando algumas de suas noções.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ideias - Mario Kaplún
De medios y fines en comunicación educativa

O texto abaixo, publicado originalmente em 1997, na revista Chasqui, é uma importante reflexão de Mario Kaplún sobre os possíveis significado da comunicação e suas tecnologias na educação. Kaplún defende uma noção mais participativa, que colabore com a construção e reconstrução do conhecimentos por todos os participantes dos processos comunicativos.
+ Esse e outros textos interessantes podem ser vistos no blog Educación y Comunicación Popular.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ideias - Bernard Charlot
A pedagogia ativa é uma conquista da professora com os alunos*

Bernard Charlot**

Meu tema: a escola e as classes trabalhadoras. Para começar, gostaria de dizer que houve uma época, nas décadas de 60, 70 do século passado, em que as crianças das classes trabalhadoras nem entravam na escola. Hoje, a situação mudou, pois quase todas as crianças estão matriculadas nas escolas. Mas há crianças que têm problemas na escola, e temos que ter consciência de que o direito de cada ser humano não é o de ser matriculado na escola, mas, sim, de ter acesso ao saber e às referências que permitem a cada um melhor entender o mundo, a vida e a si mesmo. Esse é o problema a ser resolvido. Um problema de políticas educacionais, em que entram muitos fatores: a formação dos professores, seu salário, e também um problema que ocorre dentro da sala de aula.

sábado, 9 de junho de 2012

A digitalização da música e do livro

Quando fiz doze anos, no início dos anos 1970, recebi de presente dos meus pais, um gravador portátil, da marca Realistic, de fita cassete da Radio Shack. Poucas horas depois, tornei-me um pirata musical. Eu tinha um amigo que morava ao lado, e seu irmão mais velho tinha uma cópia do Abbey Road, um álbum que eu achara brilhante. Levei meu gravador para a sua casa, coloque o seu pequeno microfone de plástico (era uma máquina mono) na frente de uma das caixas de seu aparelho de som, e comecei a fazer uma cópia cassete da gravação. Usei a mesma técnica em minha casa para gravar canções de sucesso fora do rádio, bem como fazer cópias de LPs e 45 rotações de meus irmãos e amigos. Nunca passou pela minha mente que eu estava fazendo algo errado. Não pensava em mim como um pirata, nem via as minhas gravações como sendo algo ilícito. Estava apenas sendo um fã.

[…]

A razão pela qual estou contando tudo isso não é que eu tenha, repentinamente, me sentido culpado sobre a minha vida como um adolescente pirata de música. Não sinto culpa alguma. É que neste fim de semana acabei lendo um artigo no Wall Street Journal, do fundador do Listen.com, Rob Reid, em que ele argumentou que ‘na aventurosa arena da pirataria digital, o mundo editorial está se saindo muito melhor do que a imprudente indústria da música’. Traçando um paralelo entre os negócios em música e livros, Reid escreve:

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ideias - tradução
O Facebook está nos tornando solitários?

An idea I'm working on about the solitude of the internet, de Kyle Steed - (cc)

Stephen Marche*

Yvette Vickers, uma ex-coelhinha da Playoby e estrela de filmes B, mais conhecida por seu papel em O Ataque da Mulher de 15 Metros (Attack of the 50 Foot Woman), deveria ter 83 anos em agosto passado, porém ninguém sabe exatamente com quantos anos ela morreu. De acordo com o relatório do médico legista de Los Angeles, ela já estava morta durante boa parte do ano, antes que uma vizinha e amiga da atriz, uma mulher chamada Susan Savage, notasse teias de aranha e cartas amareladas na caixa de correio dela e, abrindo a porta através de uma janela quebrada, caminhasse entre pilhas de lixo postal e montes de roupa que lotavam a casa. Subindo as escadas, ela encontrou o corpo de Vicky mumificado, próximo a um aquecedor que continuava funcionando. Seu computador também estava ligado, com seu brilho preenchendo o espaço vazio.

domingo, 29 de abril de 2012

Ideias - tradução
Nativos digitais ou cidadãos digitais?

Angry Clock, de John Boxall

John Merrow*

Frequentemente escuto os adultos de hoje descrevendo os jovens como “nativos digitais”, em geral num tom de resignação e aceitação. “Eles estão tão mais avançados do que nós, que não podemos alcançá-los para oferecer ajuda”, é a mensagem comum que ouço.

Minha reação é: “Alto lá, Lalá”, porque pra mim esse modo de pensar sugere que se abdique da responsabilidade adulta. Sim, a maioria dos jovens sabe mais do que os adultos, porque a rápida mudança da tecnologia moderna é estranha a nós, muito diferente do mundo em que crescemos. Porém, ser um “nativo digital” não é a mesma coisa que ser um “cidadão digital”. Os jovens sempre precisam de orientação ética e a segurança de normas e limites. Isso é mais verdade ainda agora, porque a tecnologia hoje tem um poder sem precedentes de causar danos, como nós temos visto nos casos documentados de assédio e cyberbullying.

sábado, 24 de março de 2012

Ideias - tradução
Blogs: ontem e hoje

Nouvellistes fofocando e lendo em um café do
Palais-Royal (Bibliothèque Nationale de France)

Robert Darnton*


Blogar traz à tona o elemento repentino na comunicação. Os blogueiros tendem a ser enérgicos. Eles com frequência batem abaixo da linha de cintura, e quando eles acertam, saem correndo em busca de outro alvo. Pow! A ideia é provocar para marcar pontos, desabafar opiniões e frequentemente fofocar.

Os blogs mais fofoqueiros miram em pessoas públicas, combinando dois ingredientes básicos: baixaria e celebridades, e eles produzem seus golpes curtos, geralmente não maiores que um parágrafo. Com frequência, apelam a grupos particulares, tais como seguidores de Hollywood (Perez Hilton), viciados em política (Wonkette), jovens universitários (IvyGate), advogados (Underneath Their Robes). Politicamente eles podem se inclinar para a direita (Michelle Malkin) ou para a esquerda (Daily Kos). Porém, todos eles utilizam uma fórmula derivada do antigo jornalismo de tabloide: os nomes fazem as notícias.

Quão nova, então, é a blogosfera? Devemos pensá-la como um subproduto dos modernos meios de comunicação e um signo de uma época em que os jornais parecem condenados à obsolescência? Aproveita ao máximo as inovações técnicas – a possibilidade de um contato constante com comunidades virtuais por meio de web sites e a vantagem adicional das plataformas, como o Twitter com seu limite de 140 caracteres por mensagem. Ainda assim, a forma do o blog como meio de transmitir mensagens pode ser encontrada antes da internet em muitos tempos e lugares.