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sábado, 7 de julho de 2012

Umberto Eco e o Twitter

No mês passado, circularam centenas de notas online sobre o suposto falecimento de Gabriel García Márquez. Algumas fontes chegaram a afirmar que eu fora o autor da primeira notícia sobre a morte do autor, via a minha conta no Twitter. Evidentemente, pouco depois, as mesmas fontes – e outras, inclusive algumas totalmente fidedignas – descobriram e informaram que, na realidade, eu sequer estava inscrito no Twitter, e que alguma outra pessoa estava enviando tweets com o meu nome.

Houve até alguns idiotas que se apoderaram da primeira informação e, sem se dar ao trabalho de verificá-la, continuaram moralizando sobre a minha suposta brincadeira (vocês sabem como são os escritores, com seus conflitos e rivalidade dramáticas); mensagens posteriores revelaram que foram criadas várias contas no Twitter com o meu nome, sem o meu conhecimento.

Não se trata de algo fora do comum– em muitos sites, qualquer um pode se inscrever como 'Leonardo da Vinci' e ninguém o impedirá. Portanto, é fácil imaginar o que acontece com os nomes de escritores contemporâneos. Neste caso, alguns sugeriram que o verdadeiro autor da invencionice foi Tommaso De Benedetti, o criador de várias brincadeiras do gênero. Ele faz este tipo de coisa justamente para demonstrar, como revelou certa ocasião ao jornal The Guardian, que 'a mídia social é a fonte de informação menos passível de verificação no mundo'.”

Acima está o trecho inicial do artigo "Dúvidas sobre o Twitter", de Umberto Eco, publicado originalmente no The New York Times e reproduzido no Observatório da imprensa, no dia 03 de julho.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Umberto Eco e a internet

Novamente o escritor italiano Umberto Eco manifesta reservas quanto à internet. Em entrevista à revista Época, ele diz que: "A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes".

E também fala sobre os tablets, demostrando um opinião um tanto ambivalente:
Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet."

Leia a entrevista completa aqui.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"O Google é uma tragédia para os jovens"

A cultura não é saber quando Napoleão morreu. Cultura significa saber como posso descobrir isso em dois minutos. É claro, hoje em dia posso encontrar esse tipo de informação na internet em menos tempo. Mas, como eu disse, nunca se pode ter certeza com a internet.”
Umberto Eco deu uma entrevista à revista Spiegel, fonte da citação acima (leia a íntegra - aqui) e comentou um tema que vem abordando nos últimos tempos: o impacto da tecnologia na cultura. De modo polêmico, afirmou que "O Google é uma tragédia para os jovens".

De certo modo, ele coloca certas tarefas à escola nesse novo ambiente - como a capacitação dos estudantes para separar a informação. O que você pensa disto?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Quão confiável é a Wikipedia?

Ficheiro:Umberto Eco 01.jpg

O professor de semiótica, crítico literário e romancista italiano Umberto Eco publicou um artigo discutindo - a partir de seu próprio caso - os limites da informação na Wikipedia, sob o ponto de vista da confiabilidade.

Leia um trecho, abaixo:

Quando eu a uso, emprego as técnicas utilizadas pelos acadêmicos profissionais: leio sobre um determinado tópico na Wikipedia e depois comparo a informação com material encontrado em três ou quatro outros sites. Se o fato for confirmado por três fontes diferentes, então há uma boa possibilidade de que seja verdade - mas fique atento para os sites que são parasitas da Wikipedia, porque eles simplesmente repetem os erros.

[...]

Esses são métodos de um acadêmico que aprendeu como descobrir os fatos ao comparar as fontes. E os outros? Os crentes? As crianças que usam a Wikipedia para suas tarefas escolares? Tenham em mente que o que eu escrevi aqui sobre a Wikipedia é verdadeiro para qualquer outro site. Tanto assim que já faz um certo tempo que venho defendendo o estabelecimento de um centro de monitoramento da internet no qual um comitê de especialistas conceituados revisaria e avaliaria os sites por sua confiabilidade e precisão.”
Essa reflexão (cuja íntegra está aqui) é válida para que os professores e cursistas do Mídias na Educação percebam, mais ainda, o importante papel de mediadores da informação obtida na rede, por parte de seus alunos, que eles possuem.

Essa atitude é válida, tanto para proporcionar uma disciplina de pesquisa aos estudantes, quanto para favorecer uma visão crítica aos dados obtidos e ao que eles dizem. Nessa linha, o rigor na coleta e referência das fontes que os estudantes utilizam, é importante.